
Aos 70 anos, o dono da banca Brasil, no Centro de Curitiba, Maurício Puchalski afirma que pretende votar nas eleições de outubro no candidato que considerar mais capaz de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração faz parte de um perfil publicado pela Folha de S.Paulo sobre a rotina e as posições políticas do comerciante.
Localizada entre a Praça Osório e a Boca Maldita, a banca é conhecida também pelos comentários políticos escritos por Puchalski em recortes de jornais. Ele mantém os papéis expostos na parte externa do estabelecimento, prática que começou durante o governo de Dilma Rousseff.
Puchalski herdou a banca do pai, um dos primeiros comerciantes do ramo naquela região de Curitiba. Segundo ele, a família mantém o negócio desde as décadas de 1950 e 1960. Atualmente, jornais e revistas dividem espaço com produtos como água e refrigerantes, que passaram a representar uma parcela importante do faturamento.
O comerciante afirma que a queda na circulação dos jornais impressos se intensificou durante a pandemia de Covid 19 e com a mudança dos hábitos de consumo de informação. Ele próprio diz que costuma se concentrar nos títulos e nos principais destaques das reportagens.
Da formação militar à banca no Centro
Puchalski entrou aos 11 anos em um colégio militar e afirma que a experiência marcou sua formação. Ele conta que chegou a ser reprovado no primeiro ano, mas considera o episódio uma lição que mudou sua relação com os estudos.
Depois, optou pela engenharia civil e se formou pela Universidade Federal do Paraná. Trabalhou como regulador de sinistros em uma grande seguradora, profissão que o levou a viajar por diferentes regiões do Brasil.
Em 1983, deixou o emprego e assumiu a banca. No ano seguinte, acompanhou de perto um dos primeiros comícios das Diretas Já realizados nas proximidades do estabelecimento, em um período de mobilização pela redemocratização do país.
Críticas ao governo e apoio a Bolsonaro
Puchalski afirma que se identifica com posições conservadoras e critica a política tributária do governo Lula. Ele também conta que apoiou Jair Bolsonaro e avalia que o ex-presidente tinha uma forma de comunicação com a qual se identificava.
Ao mesmo tempo, considera que Bolsonaro cometeu erros durante o mandato, principalmente pela maneira como se posicionava publicamente. Sobre Lula, reconhece habilidade de comunicação e experiência política.
O comerciante também afirma ser contrário à mudança de gênero, rejeitar políticas de cotas em universidades e demonstrar desconfiança em relação às vacinas contra a Covid 19 e às urnas eletrônicas. Ele diz que tomou duas doses da vacina após insistência da filha.
Nas eleições de 2022, Puchalski afirma que permaneceu no local de votação até o encerramento da apuração para acompanhar a emissão dos registros da urna. Lula venceu Bolsonaro naquele pleito.
Para a eleição de outubro de 2026, ele resume sua estratégia eleitoral em uma expressão: voto útil. Segundo Puchalski, pretende escolher o candidato que tiver mais chances de derrotar Lula.
Fonte: Folha de S.Paulo
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