Foto: PRF

Uma fiscalização na BR-277, em São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Paraná, resultou na apreensão de 3.493 canetas emagrecedoras e ampolas de medicamentos escondidas nas portas de um veículo que havia saído da região de fronteira com o Paraguai. A ação ocorreu na quinta-feira, 2 de julho, e reforça o avanço do contrabando desse tipo de produto no estado.

Do total apreendido, 2.707 unidades eram canetas e ampolas de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, além de retatrutida, substância que ainda está em fase experimental e não possui autorização para comercialização em nenhum país.

O carro era ocupado por um casal e uma criança. Durante a abordagem, os ocupantes afirmaram que retornavam de uma viagem para visitar familiares em Foz do Iguaçu e seguiam para São Paulo. Apesar de o porta malas conter apenas vinhos e eletrônicos dentro da cota permitida, os fiscais identificaram indícios de que havia compartimentos ocultos no veículo.

Após uma inspeção detalhada na unidade da Receita Federal em Foz do Iguaçu, os agentes localizaram os medicamentos escondidos no interior das quatro portas do automóvel. Também foram apreendidas 786 ampolas de peptídeos e produtos rejuvenescedores. O valor estimado da carga é de R$ 320.702.

Segundo a Receita Federal, os ocupantes confessaram que haviam sido contratados para transportar os medicamentos, mas disseram desconhecer a quantidade e o valor da carga. Eles não informaram a origem nem o destino dos produtos. Após prestarem esclarecimentos, foram liberados, enquanto o caso será encaminhado ao Ministério Público Federal para análise das medidas cabíveis.

A região de Foz do Iguaçu segue como a principal porta de entrada desse tipo de contrabando no Brasil. Somente em 2026, mais de 108 mil canetas emagrecedoras já foram apreendidas na região, número que representa um crescimento expressivo em relação ao ano anterior.

O interesse pelos medicamentos é impulsionado pela diferença de preços entre Brasil e Paraguai. Enquanto o tratamento mensal com Mounjaro pode custar a partir de R$ 3,5 mil em farmácias brasileiras, versões comercializadas no Paraguai são encontradas por cerca de R$ 430, muitas vezes sem exigência de receita médica.

A fabricante do Mounjaro alerta que o medicamento exige controle rigoroso de temperatura durante todo o transporte e armazenamento. Produtos comercializados fora dos canais oficiais podem perder a eficácia ou oferecer riscos à saúde por falta de garantia sobre as condições de conservação.

Especialistas também reforçam que medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária representam riscos aos pacientes, especialmente quando sua origem e forma de armazenamento são desconhecidas.

Fonte: Bem Paraná