
A proposta de Cristina Graeml (PMB) sobre o transporte público de Curitiba vem gerando controvérsia, com especialistas apontando retrocessos significativos. Ao sugerir a redução das tarifas nas áreas centrais mais ricas, Graeml, apesar de negar um aumento para regiões periféricas, acabou por expor a possibilidade de extinguir a Tarifa Social Única, um modelo que democratizou o acesso ao transporte em Curitiba, favorecendo deslocamentos mais longos entre bairros distantes.
O argumento de Graeml, de que quem percorrer distâncias menores pagará menos, independentemente do local, enfrenta críticas pela potencial penalização dos moradores das regiões mais afastadas, que já enfrentam maiores dificuldades de mobilidade. Tainá Bittencourt, doutora em engenharia de transporte, destacou em um seminário que os trabalhadores mais pobres, em sua maioria negros, sofrem com deslocamentos longos, altos custos e esperas excessivas no transporte público. Essa realidade pode piorar se o plano da candidata avançar.
Especialistas como o arquiteto Ricardo Tempel Mesquita e o engenheiro Roberto Ghidini alertam para os riscos de destruir o legado do sistema “EXPRESSO”, desenvolvido na gestão Jaime Lerner, que democratizou o transporte em Curitiba. Ghidini defende uma abordagem mais inclusiva e sugere a necessidade de um sistema de transporte público estatal, em vez de criar novos privilégios para áreas centrais.
Fonte: Brasil de Fato
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