Policiamento no Centro de Curitiba: região é a que mais concentra casos de furtos e roubos na cidade (Foto: Franklin de Freitas)

Clonagem de contas, golpes envolvendo Pix e o uso de inteligência artificial estão entre as principais ameaças enfrentadas por consumidores e empresas em Curitiba. O avanço das ferramentas digitais ampliou a praticidade no dia a dia, mas também abriu espaço para a atuação de organizações criminosas que utilizam tecnologia e manipulação psicológica para aplicar fraudes.

As tentativas de golpe deixaram de seguir padrões fáceis de identificar. Mensagens com aparência profissional, páginas falsas semelhantes às de bancos e lojas virtuais, além de ligações que simulam centrais de atendimento, fazem parte das estratégias utilizadas para convencer vítimas a fornecer dados pessoais ou realizar transferências bancárias.

Especialistas em segurança digital apontam que boa parte das fraudes depende da chamada engenharia social. Nesse tipo de golpe, os criminosos exploram situações de urgência ou confiança para induzir a vítima a compartilhar senhas, códigos de autenticação ou informações bancárias, sem necessidade de invadir dispositivos eletrônicos.

Entre as modalidades mais frequentes está a clonagem de contas de WhatsApp. Após assumir o controle do perfil, os golpistas entram em contato com familiares e amigos solicitando dinheiro sob o pretexto de uma emergência. Também são comuns os golpes com falsas centrais bancárias, nos quais criminosos orientam vítimas a instalar aplicativos ou transferir recursos para contas apresentadas como seguras.

O Pix também se tornou alvo constante de estelionatários. Comprovantes adulterados, cobranças inexistentes, vendas de produtos que nunca são entregues e promoções falsas estão entre as fraudes mais registradas. Como as transferências são instantâneas, recuperar os valores costuma ser uma tarefa difícil.

Outra preocupação envolve o comércio eletrônico. Em períodos de grande movimento, como Black Friday, Natal e Dia das Mães, aumentam os casos de lojas virtuais falsas que anunciam produtos com preços muito abaixo do mercado para atrair consumidores. Após o pagamento, a mercadoria não é entregue e o site pode desaparecer.

A popularização da inteligência artificial também criou novos desafios para a segurança digital. Ferramentas capazes de produzir textos, imagens, vídeos e áudios realistas passaram a ser utilizadas por criminosos para tornar golpes mais convincentes. Os chamados deepfakes permitem reproduzir voz e imagem de pessoas com alto grau de fidelidade, dificultando a identificação da fraude.

Empresas de Curitiba também figuram entre os principais alvos. Escritórios, clínicas, escolas, lojas e prestadores de serviço armazenam dados sensíveis e dependem de sistemas informatizados para manter suas operações. Ataques podem causar prejuízos financeiros, interromper atividades e comprometer informações de clientes.

Especialistas recomendam medidas como ativar a autenticação em dois fatores, utilizar senhas diferentes para cada serviço, manter dispositivos atualizados e nunca compartilhar códigos recebidos por SMS ou aplicativos de autenticação. Também orientam confirmar pedidos de dinheiro por outro meio de comunicação antes de realizar qualquer transferência.

A conscientização da população é considerada uma das principais ferramentas para reduzir os riscos. Com a evolução constante das técnicas utilizadas pelos criminosos, acompanhar orientações de segurança e verificar cuidadosamente mensagens, sites e solicitações financeiras tornou-se essencial para evitar prejuízos.

Fonte: Paranashop