por Greg Polo
Sabe aquela sensação de tirar um peso das costas? Pois é, foi exatamente isso que rolou na Live Curitiba na noite de ontem, 1º de abril. E não, não era pegadinha: o Lynyrd Skynyrd finalmente subiu ao palco curitibano para abrir a turnê brasileira e lavar a alma de quem guardava o ingresso (ou a mágoa) desde o fatídico cancelamento de 2017.
Na época, lembro bem, o motivo foi pesado e totalmente compreensível: a saúde da filha de Johnny Van Zant. Mas o buraco que ficou na agenda da cidade demorou quase uma década para ser fechado.
Quando os pântanos da Flórida invadiram Curitiba
Logo após a execução de “Panamá”, do Van Halen, os jacarés do Parque Barigui puderam encontrar seus parentes distantes dos pântanos da Flórida, na abertura em vídeo do concerto. O show começou pontualmente às 21h, entregando aquela sonoridade característica do Skynyrd, que mistura blues com o rock setentista, e o repertório foi um prato cheio para quem curte os clássicos dos anos 70.
Claro que o quarteto fantástico: “Free Bird”, “Sweet Home Alabama”, “Simple Man” e “Gimme Three Steps”, fez a galera virar o olho, mas, pelo menos pra mim, o que realmente surpreendeu foi a inclusão de “Still Unbroken”. Ver uma faixa do God & Guns no setlist, algo que não acontecia desde 2015, foi uma surpresa grata.
Além disso, o setlist ainda trouxe faixas icônicas: “Workin’ for MCA”, “What’s Your Name”, “That Smell”, “I Need You”, “I Know a Little”, “Saturday Night Special”, “Down South Jukin'”, “The Needle and the Spoon”, “Tuesday’s Gone”, um pedacinho de “Red, White and Blue” e “Call Me The Breeze”, cover de J.J. Cale eternizado na versão do Skynyrd.
Mais que uma banda, um legado
Dizer que o Skynyrd atual é uma “banda de tributo” é um erro amador. Mesmo sem os membros originais da fundação, a entrega é visceral. Johnny Van Zant carrega o bastão do irmão Ronnie com uma dignidade absurda, e Rickey Medlocke, nas guitarras, continua sendo uma força da natureza.
Mas a força do Skynyrd não para em Johnny e Rickey. O time que segura o rojão é de peso: Damon Johnson e Mark Matejka nas guitarras, Michael Cartellone na bateria, Peter Keys nos teclados e Keith Christopher no baixo. Fechando a formação, as vozes de Carol Chase e Dale Krantz Rossington, viúva do Gary, trazem aquele brilho adicional clássico, característico da banda.
O show foi, acima de tudo, uma celebração à memória. Quando os acordes de “Tuesday’s Gone” soaram (primeiro na harmônica, depois nas guitarras), a homenagem a Gary Rossington (falecido em 2023) trouxe um nó na garganta. E o ápice emocional, previsivelmente, foi em “Free Bird”, com as projeções e a voz de Ronnie Van Zant no telão.
Além disso, a banda ainda traz uma tela especial com o nome de todos os membros que já partiram deste mundo. Sem dúvida, um momento em que o tempo pareceu parar, pois ali, com mais de 50 anos de carreira e uma legião de fãs de diferentes gerações, a “Skynyrd Nation” se mostrou mais forte e presente do que nunca.
O veredito
O conceito da turnê está estampado para quem quiser ver: “Their Legacy Lives On” (Seu legado continua vivo). E vive mesmo.
Foi um show de contrastes: a energia bruta e o swing das guitarras distorcidas contra a nostalgia de uma história marcada por tragédias e superações. Curitiba finalmente teve sua estreia com o Skynyrd, e a espera, por mais longa que tenha sido, valeu cada segundo.
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