Curitiba enfrenta um alarmante aumento nos casos de hepatite A, com um surto que já registrou 366 casos neste ano, representando um crescimento de 7.220% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram diagnosticados apenas 5 casos. As informações foram divulgadas pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Curitiba em um boletim epidemiológico nesta segunda-feira.
Do total de infectados, 220 pacientes, o que corresponde a 60% dos casos, necessitaram de internação hospitalar e 12, aproximadamente 3,2%, foram encaminhados para unidades de terapia intensiva (UTI). Além disso, a cidade registrou 5 mortes e um caso que requereu transplante de fígado devido à gravidade da infecção.
Um inquérito epidemiológico conduzido pela SMS e pelo Programa de Epidemiologia Aplicada do Sistema Único de Saúde (EpiSUS) aponta que a principal via de transmissão do vírus tem sido o contato íntimo entre pessoas, especialmente durante relações sexuais. A maioria dos casos foi identificada em homens de 20 a 39 anos.
“É fundamental adotar medidas preventivas, incluindo a higienização das mãos, genitália e região anal antes e depois de práticas sexuais”, recomenda Alcides Oliveira, diretor do Centro Municipal de Epidemiologia de Curitiba.
A hepatite A, uma infecção que afeta o fígado e pode variar de leve a grave, é transmitida principalmente pela via fecal-oral, mas também pode se espalhar por contato sexual, especialmente durante o sexo anal. Os sintomas incluem cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, dor abdominal, pele e olhos amarelados, entre outros. Em situações mais sérias, pode levar a necessidades como transplante hepático e aumenta o risco de desenvolver câncer de fígado e cirrose se não tratada.
A vacinação continua sendo a principal estratégia de prevenção contra as hepatites A e B. No entanto, muitos adultos ainda não estão imunizados, visto que a vacina para hepatite A foi incluída no Programa Nacional de Imunizações para crianças apenas em 2014. Atualmente, apenas 75,8% das crianças foram vacinadas, abaixo da meta de 95%.
Além de ampliar a cobertura vacinal, a SMS de Curitiba aguarda novos lotes de vacinas para iniciar a vacinação de bloqueio, visando imunizar adultos que estiveram em contato próximo com infectados recentemente. “A estratégia de vacinação está sendo definida esta semana e será aplicada assim que chegarem as novas doses”, informa Oliveira.
Fonte: O Globo




