O climatologista Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) e co-presidente do Painel Científico para a Amazônia, destaca a urgência de conscientização sobre as mudanças climáticas em face de eventos extremos como as recentes chuvas intensas no Rio Grande do Sul. Nobre adverte que tais fenômenos, que causaram desastres em várias partes do mundo, tendem a se tornar mais frequentes.
Segundo o pesquisador, o mundo já presenciou recordes de chuvas e temperaturas nos últimos anos, incluindo os anos mais quentes em 125 mil anos, conforme indicado pelo Instituto Climático Copernicus. “Tivemos ondas de calor recordes e secas intensas em diversas partes do Brasil, como no Amazonas e no Cerrado, além de chuvas extremas em regiões como o Rio Grande do Sul,” explicou Nobre.
O climatologista ressalta que fenômenos como El Niño e La Niña, que causam respectivamente chuvas intensas e secas, continuarão a se alternar, influenciando drasticamente o clima global. “Estamos entrando em uma emergência climática. As populações precisam responder a isso como fizeram na pandemia da COVID-19. Não há mais volta; só podemos tentar mitigar os efeitos futuros com esforços globais,” enfatizou.
Nobre também chamou a atenção para a necessidade de educação sobre como lidar com esses fenômenos desde a infância, como já ocorre em países como Japão e Estados Unidos, onde crianças aprendem desde cedo a reagir a terremotos e tornados.
A situação no Rio Grande do Sul serve como um alerta, com previsões de mais chuvas para o final de semana devido a uma nova frente fria. A continuidade das chuvas mantém o risco de enchentes, especialmente em áreas já afetadas.
Além de medidas preventivas, Nobre sugere que a segurança seja uma prioridade para evitar que desastres naturais sejam agravados por saques ou invasões durante evacuações. “É vital que haja ação das autoridades para proteger as pessoas nesses momentos críticos,” concluiu.
Fonte: RIC




