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‘Curitiba não está preparada’ para enchentes como a do RS, diz especialista

‘Curitiba não está preparada’ para enchentes como a do RS, diz especialista

Alagamento no Parque Tingui, em Curitiba, em 2023. Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná.

Com o Brasil em luto pelas vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, Curitiba questiona sua própria capacidade de enfrentar desastres naturais semelhantes. Recentemente, a capital paranaense enviou donativos para auxiliar os afetados, mas surge a preocupação: Curitiba estaria preparada para lidar com chuvas tão intensas quanto as que devastaram Porto Alegre?

A resposta parece ser negativa. Diferenças geográficas e de infraestrutura à parte, precipitações acima de 300 milímetros, como as registradas na capital gaúcha, representariam um desafio colossal para qualquer cidade. Curitiba, com sua particular geologia e urbanização, enfrenta riscos próprios.

Abdel Hach, especialista em geologia e geotecnia, alerta que o risco de inundações em Curitiba é consideravelmente alto, maior até que em Porto Alegre. “Se tirar concreto e asfalto, a capital paranaense é cercada por rios, o que exige inovações em drenagens urbanas”, explica Hach, destacando as frequentes inundações no centro da cidade em chuvas acima de 70 milímetros.

Felipe Maia Ehmke, diretor de Mudanças Climáticas da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, reconhece os riscos, mas também aponta para medidas já implementadas que mitigam esses efeitos. Desde 2003, Curitiba tem investido em parques lineares ao longo dos rios, que funcionam como esponjas urbanas, absorvendo significativas quantidades de água durante chuvas intensas.

Os parques lineares e os principais rios que atravessam a cidade, como o Barigui e o Belém, desempenham um papel crucial na gestão das águas pluviais. Essas áreas verdes ajudam a manter os níveis de água controlados e prevenir enchentes severas.

“Estamos trabalhando ao máximo para utilizar soluções baseadas na natureza e intervir eficientemente na redução dos impactos das mudanças climáticas”, reforça Ehmke.

No entanto, Hach sugere que mais ações sejam tomadas. “Os parques ajudam, mas o solo tem uma capacidade limitada de saturação. Precisamos repensar a política urbana das cidades, considerando mudanças urgentes para uma drenagem mais sustentável e priorizar estudos geológicos no planejamento urbano”, recomenda o geólogo.

O debate sobre a resiliência de Curitiba às mudanças climáticas ganha ainda mais relevância com os recentes eventos no Rio Grande do Sul, levantando questionamentos sobre a adequação das políticas públicas e a preparação da cidade para enfrentar futuros desafios climáticos.

Fonte: Tribuna do Paraná

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