Pesquisadores identificaram que a região do Pinheirinho, na zona sul de Curitiba, é a mais afetada pela pandemia de coronavírus tanto na incidência de casos, quanto na taxa de mortalidade. A constatação foi feita por integrantes da Rede Cooperativa de Pesquisa em Modelagem da Epidemia de Covid-19 e Intervenções não Farmacológicas (Modinterv) a partir de uma análise baseada em dados do Portal Modinterv Paraná Covid-19, novo projeto da equipe que será lançado nesta quinta-feira (10) e disponibiliza, ao público em geral, informações da curva epidemiológica da pandemia em diversas localidades do estado do Paraná.

O modelo matemático compila dados publicados pelas secretarias municipal e estadual de saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto foi desenvolvido, em conjunto, por estudiosos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e das universidades federais de Pernambuco (UFPE) e de Sergipe (UFS).

A ferramenta aponta que, a cada cem mil habitantes, quase 13 mil foram infectados com o novo coronavírus no distrito sanitário do Pinheirinho, que engloba esse e outros bairros próximos. A segunda maior incidência de casos ocorre no distrito sanitário da Cidade Industrial, com quase 12 mil contaminados. Os menores índices foram encontrados nas regiões do Cajuru e de Santa Felicidade, com nove e oito mil contaminados a cada cem mil habitantes, respectivamente.

Gráfico mostra incidência de casos nos distritos sanitários de Curitiba a cada cem mil habitantes

Com relação à taxa de mortalidade por Covid-19, a região do Pinheirinho também lidera com cerca de 365 mortes a cada cem mil habitantes. Em segundo lugar nesse aspecto está o distrito sanitário do Boqueirão, com 306 falecimentos. Santa Felicidade permanece no último lugar, com 205 registros a cada cem mil pessoas. Os dados utilizados nessas projeções são de 1º de junho.

O fato de o bairro Pinheirinho e seus arredores serem os mais afetados pela pandemia está atrelado ao número de pessoas que circulam diariamente por essa região. Para Maria Carolina Maziviero, professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, o terminal do Pinheirinho, responsável pela integração com municípios da região metropolitana como Fazenda Rio Grande e Araucária, pode ser um dos principais focos de disseminação do vírus.

Gráfico mostra taxa de mortalidade nos distritos sanitários de Curitiba a cada cem mil habitantes

“É um terminal por onde circula uma grande quantidade de pessoas, gerando maior risco de disseminação do coronavírus. Esses dados apontam a necessidade de pensar ações emergenciais em escala regional, que extrapolem o perímetro dos municípios. Também é fundamental prever intervenções rápidas e baratas nos terminais para mitigar a transmissão do coronavírus, além de ser imprescindível a revisão da gestão e do financiamento do transporte coletivo de modo a evitar as superlotações”

revela Maria Carolina que também integra o grupo interdisciplinar Ação Covid-19 e é uma das idealizadoras da iniciativa Paraná Contra a Covid-19 – projeto com o intuito de estudar os impactos da pandemia nos diversos segmentos sociais e apontar a omissão das políticas públicas e seus reflexos sobre a vida das pessoas.

Fonte: UFPR

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